quinta-feira, 5 de abril de 2007

Feito Lúcia...

Contar histórias, Contadora de Histórias!

Gente, cês num sabem...reencontrei uma amiga minha muito querida, a Lucinha...Foi uma grande alegria; mexeu comigo, de verdade!
Ela é uma daquelas pessoas que a gente gosta muito de encontrar; é gostoso falar com ela, é gostoso estar com ela e muito, muito gostoso ouví-la cantar!!!!!
Fez parte de uma parte da minha vida que, apesar de muito difícil, foi fundamental pra eu ser quem eu sou agora e saber o que e quem eu não quero mais !!!
Acompanhou minha segunda gestação e pôde sentir a Maíra se mexendo em mim, quando botava sua mão em minha barriga. Demos muita risada juntas, confidenciamos muito uma à outra e tenho ela em meu coração, lugar bem especial, reservado à pessosas assim...feito Lúcia.

quinta-feira, 29 de março de 2007

A lenda de Kokopelli


Minha amiga Thabata me perguntou sobre o Kokopelli que coloco como primeira postagem neste blog. Achei que deveria registrar sua lenda, recontada por um representante do Clã dos Lobos do Cerrado. Para maiores informações, leiam "As cartas do caminho sagrado", de Jamie Sams. Ah! A ilustração é minha, tá?

Contar histórias, Contadora de Histórias!

A Lenda de Kokopelli

"Era uma noite de outono, e nós estávamos sentados ao redor de uma fogueira, no alto das montanhas na Mesa Verde, quando eu vi pela primeira vez a figura de Kokopelli se aproximando da nossa aldeia. Ele tinha uma corcunda avantajada e vinha tocando sua flauta numa completa harmonia com o som das montanhas. Notamos imediatamente naquela figura o Deus Kokopelli, com sua flauta, corcunda e com suas características fálicas pronunciadas.
Sua flauta era confeccionada em osso, e ele a tocava pelo nariz. Segundo os anciões, as narinas possuíam poderes mágicos, pois o espírito entrava e saia do corpo por elas.
A história que eu escutava sobre nosso visitante, era que ele era um brioso Tolteca que chegou a Aztlán vindo do coração do México. Aztlán foi o local onde originou a poderosa Nação Asteca antes que ela construísse sua capital no meio de um lago, numa ilha conhecida hoje em dia como Cidade do México. A fronteira norte de Aztlán ficava ao sul do Colorado e cobria todo o vale do Rio Grande no Novo México. A fronteira norte de Aztlán era povoada pelas pacificas Nações dos Pueblos. Nós os Pueblos éramos fazendeiros e habitávamos as encostas das montanhas. Dependíamos dos Seres-Trovão e do Arco-Íris Rodopiante para alimentar as Três Irmãs (Milho, Abóbora e Feijão) que garantiam a nossa sobrevivência.
A música, suave e inspiradora, ecoava pela parede do desfiladeiro. A Mesa Verde estava repleta de habitação no alto da encosta, as fogueiras brilhantes ardiam, e todo o Povo olhava, maravilhado, observando Kokopelli transformar a música encantada de sua flauta de nariz numa poção milagrosa, que alimentava os corações dos jovens e velhos.
Kokopelli não tinha corcunda, pois sua corcunda estava sentada ao seu lado e devia ser a sua sacola de objetos sagrados e de cura que ele havia trazido para negociar. Sua flauta parecia brilhar à luz da fogueira, e ele empregava os reflexos do fogo e o som de sua música para hipnotizar todo aquele público.
Havíamos tido um ano de seca e havia pouca esperança que voltasse a chover. As penas do cocar de Kokopelli eram brilhantes e vermelhas de arara, que davam a ilusão de que o corpo se banhava na Chama Eterna da paixão e da criatividade. O Fogo da fertilidade que coroava sua cabeça também se irradiava de seu corpo enquanto se inclinava oscilante diante do fogo tribal. Ao terminar de tocar sua flauta, embrulhou-a como se fosse uma criança num pano brilhante e ofereceu à Grande Nação das Estrelas. Suas palavras alcançaram os recantos mais distantes do povoado.
- Esta flauta leva a música das Estrelas à Grande Mãe Terra, e convoca os Seres-Trovão a virem fazer amor com ela - gritou Kokopelli. - Esta união dará ao Povo uma criança que um dia conduzirá de volta às estrelas, através da Terra interior da qual todos vieram.
Uma lufada do ar gelado da montanha passou pelo meu corpo, subiu o desfiladeiro e foi atiçar as brasas do fogo tribal, causando um redemoinho que explodiu, enchendo o céu noturno de fagulhas que lembravam as estrelas. Os murmúrios de admiração saídos da boca do Povo ecoaram pela noite escura. Subitamente, a luz que os Seres-Trovão lançaram foi o suficiente para que todos vissem as massas do Povo Nuvem que já haviam se agrupado nos céus, em resposta ao chamado de Kokopelli. Uma vez mais o Povo gritou, espantado com a mágica realizada por esse Deus, Kokopelli. Até mesmo os bebês, que já estavam dormindo, acordaram para apreciar o espetáculo mágico de Kokopelli. Certamente a chuva, há muito esperada viria para alimentar as Três Irmãs (Milho, Abóbora e Feijão), e o Povo conseguiria sobreviver. Kokopelli recomendou que todos apanhassem seus potes de barro e recolhessem a água da chuva para usar futuramente. Os Trovejadores gritavam que a chuva ia começar.
Os Bastões de Fogo criaram um grande jogo de luzes antes que Trovão Retumbante quebrasse o silêncio da noite. Além deste som só se ouvia a corrida dos pés metidos nas sandálias de fibra de iúca subindo e descendo escadas em busca dos potes. Só uma jovem ficou parada, em pé, perto da praça principal. Ela olhava para cima e observava, maravilhada, os relâmpagos que iluminavam o céu noturno, enquanto os outros, a seu redor, não paravam de correr de um lado para o outro. Kokopelli olhou seu rosto tão maravilhado, bonito e inocente, e aproximou-se dela, ainda segurando a flauta como se fosse uma criança. A jovem demonstrava tanta serenidade que chamou a atenção de Kokopelli.
- Por que não foi buscar seu potes? - perguntou ele.
- Já estão lá em cima. - respondeu ela.
Kokopelli perguntou o seu nome, e ela respondeu:
- Chamam-me Flor da Neve do Clã de Inverno do Milho Branco.
- Por que é que seus potes já estão lá em cima, Flor de Neve? - perguntou ele.
- Porque sua flauta me chamou assim que você começou a subir o desfiladeiro e me revelou que você traria a chuva. - respondeu ela.
Kokopelli ficou intrigado. Nisto, ela olhou para ele e sorriu. Kokopelli lhe sorriu de volta. Tinha acabado de entender a sua mensagem.
- Então é você! - exclamou ele.
O Xamã do Clã da Águia começou a convocar o Povo para uma oração de Graças. Neste mesmo instante os primeiros seres do Povo da Chuva começaram a tocar os seios da Mãe Terra. Kokopelli pegou Flor da Neve pela mão e conduziu-a suavemente até a Fogueira. Todos os olhares do Povo observavam o casal, que se encaminhava para o centro da aldeia. Terminada a oração, Kokopelli colocou sua flauta nos braços de Flor da Neve, como se fosse um bebê. Este gesto significava que aquela mulher partilharia de sua música e de sua semente dali por diante.
A magia pairava no ar, e o filho desta união usaria a Magia do Corvo para ajudar o Povo a redescobrir o seu caminho de volto às estrelas. Segundo a lenda, os Pueblos vieram abrindo caminho do mundo interior, logo após a Criação. Enquanto isso, os espíritos de seus Ancestrais retornavam ao mundo interno até que soasse a hora de caminhar novamente pela Terra. Kokopelli revelou ao Povo que houve um momento antes da Criação em que cada pessoa era uma fagulha da Chama Eterna do Grande Espírito, que havia caído sobre a Terra para semear a Mãe com os seus pensamentos, idéias e ações férteis. Kokopelli também revelou que todos se tornariam Vaga-lumes na Grande Nação do Céu, no dia em que os sangues Tolteca e Pueblo se unissem em um só sangue.
Contam os Astecas que nove meses depois Flor da Neve deu à luz um menino, que se tornou um grande líder espiritual do Clã da Águia. A sua Magia de Cura consistia em unir o carinho de sua mãe ao poder de Fogo do seu pai. Aquele local, chamado de Mesa Verde, já está abandonado há alguns séculos. Portanto uma pergunta ficou pairando no ar: teria este Povo deixado a Mãe Terra para ir viver na Grande Nação das Estrelas? Se isto for verdade, a fertilidade e a abundância de Kokopelli continuam brilhando, até hoje, em nosso mundo, durante todas as noites do ano.
”··Hancoka Olawmpi (Canção da Meia-Noite)”.
Livro "As Cartas do Caminho Sagrado" , Jamie Sams

sábado, 24 de março de 2007

Um presente pro meu irmão

No último dia 22 meu irmão fez aniversário.

Contar histórias, Contadora de Histórias!

Lembrei de quando ele era um bebezinho fofo e careca.
Eu brincava com minha prima Sandra, quando minha mãe chamou pra eu tomar conta do menino. Xinguei à beça, afinal a brincadeira tava tão boa...mas ia...e gostava...
Ele era um anjinho de tão bom. E eu, ficava ali um tempão, olhando praquela careca cheia de cabelinhos ralos, aquela boquinha fazendo bico...
Daí me lembrava da brincadeira; a Sandra tava esperando!!!
Então, iniciava minha estratégia pra fazer menino dormir: cantava uma canção, quase murmurando, enquanto passava as pontas dos dedos suavemente em suas sobrancelhas. Ao mesmo tempo, assoprava de leve seu rostinho. O menino ia piscando miudinho e abrindo a boca, gostosamente!
Num instante dormia, fazendo-me sentir uma paz infinita...ficava com vontade de dormir juntinho dele pra pegar a paz, mas lembrava que a Sandra não esperaria tanto tempo...
Corria pra fora, brincar à valer!!!!!
Meu filhilho já dormia...e dia 22 último, ele fez aniversário de gente grande!
Muita daquela paz procê, Tande!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

terça-feira, 6 de março de 2007



Hoje passei por debaixo da copa de uma árvore florida e me senti abençoada...



Depois de um dia de trabalho lá no Ponto de Cultura CIM, voltando pra casa, uma árvore me abençoou. 

Foi no exato momento em que eu fiquei bem embaixo de suas flores, penduradas nos galhos cheios de folhas compridas – preciso saber o nome daquela espécie – que ela me sorriu e disse: 

_Vá em frente minha amiga, o importante é ser feliz, dar risada e beijar na boca!

Fiquei admirada, nunca ouvi isso de uma árvore. Como fazia muito calor, parei um pouquinho, fazendo de conta que me refrescava em sua sombra. Dei uma olhadinha pra cima e percebi que suas flores sorriam pra mim. Sim, elas sorriram pra mim! Pude ver seus pistilos e achar graça também!

E toda essa graça me fez lembrar de quando eu era criança e minha avó Maria me dizia que se quisesse ter um papagaio, tinha que dar comida pra ele. A comida em questão morava em uma flor: o girassol. Bonito demais da conta e forte como o quê!

Ela logo veio com a solução: plantar girassóis pra dar comida pro loro...

Plantava a semente em terra preparada com a ajuda da vó, aguava e esperava crescer. Cuidava de tirar as pragas e ficava encantada com o tamanhão que alguns pés ficavam!

Quando resplandeciam em luz solar, nossas flores eram as mais bonitas do mundo. Aquele amarelo todo me dava um tróço por dentro, uma vontade de chorar de alegria e eu ficava bem grande, podendo ver a plantação lá de cima.

Eu retirava as flores, assim que estas murchavam e botava  o miolo pra secar. Depois de secos, debulhava tudinho e guardava em um vidrão.

O loro já teria comida durante um tempão!

Foi assim que eu aprendi, com minha avó Maria, a semear, cuidar e amar o girassol e toda flor do mundo. Penso que estendi essa emoção pra minha vida e ando por aí ouvindo flores:

_O importante é ser feliz, dar risada e beijar na boca!!!!

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

O NOVO

Contar histórias, Contadora de Histórias!

Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar.

Viajaram para o Sul.

Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.

Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.

E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:

- Me ajuda a olhar!



Um dos textos de "O Livro dos Abraços" de Eduardo Galeano

domingo, 25 de fevereiro de 2007

SOBRE O DOMINGO

Hoje é domingo, pé de cachimbo

Cachimbo é de ouro, bate no touro
Touro é valente, bate na gente
A gente é fraco, cai no buraco
Buraco é fundo, acabou-se o mundo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Contar histórias, Contadora de História!

Vai daí que hoje é domingo, dia da preguiça. Êta coisa boa ficar de preguiça domingo pela manhã, almoçar bem tarde (hoje foi na casa da sogra) e ficar lagarteando à tardinha com o nosso amor, né?

Uma borboleta me contou que domingo é assim, preguiçoso que é pra gente se alimentar de energias pra semana que começa com o batente! Já imaginou se não tivesse o domingão pra dar um fôlego, fazendo nada?!!

Ai, que bom que você existe domingo!

Opa! Isso é um sinal do tempo...quando adolescente achava um porre o domingo, êh dia chato, triste e sem graça...

Legal, ainda bem que o tempo, que come a gente, também dá coisas! Coisas do tipo liberdade pra poder mudar de opinião sobre certas coisas e afirmar o que se sente de verdade.

Vai daí que chegou uma canção pro nosso domingo...


Uma Breve História do Tempo

Fernanda Abreu

Composição: Fernanda Abreu / Márcia Stein/Alexandre Amorim / Fernando Vidal

a cada segundo
do tempo do mundo
corta o espaço
uma grande verdade

a cada minuto
do tempo absoluto
vaga na vida
uma outra saudade

a cada momento
no sopro do vento
voa na mente
um desejo ardente

errante
constante
em busca do instante transparente

o pensamento voa
o corpo dança
o espírito brinca
a preguiça é boa

Uma poesia da Adélia Prado muito linda, como todas as que ela faz...É que esta é especialmente gostosa e me lembra a minha mãezinha!

SOLAR
Minha mãe cozinhava exatamente: arroz, feijão-roxinho e molho de batatinhas. Mas cantava


Eu, filha (foto de 69)

Ela sempre teve essa cara de gente boa! Muito agradecida, tá Mãe!!!!!

Eu, mãe (foto de 94)

Deus é bem bonzinho mesmo, mandou uma linda pra me deixar feliz!!!

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Palavra de Mulher!



Pois é, cedi aos encantos de poder conversar com tod@s por aqui...
As coisas estão bem lá no Ponto de Cultura CIM. Entregamos os certificados de conclusão da oficina "Palavra de Mulher!" com muita camiseta bacana produzida pela mulherada! Contei uma história antiga, de origem árabe "Fátima, a fiandeira". Essa história me diz muito sobre a memória e os talentos que agregamos pelo caminho. Reparto com vocês sua versão escrita:
Contar histórias, Contadora de Histórias!

Fátima, a fiandeira

Numa cidade do mais longínquo Ocidente vivia uma moça chamada Fátima, filha de um próspero fiandeiro. Um dia seu pai lhe disse:

- Filha, faremos uma viagem, pois tenho negócios a resolver nas ilhas do Mediterrâneo. Talvez você encontre por lá um jovem atraente, de boa posição, com quem possa então se casar.

Iniciaram assim sua viagem, indo de ilha em ilha; o pai cuidando de seus negócios, Fátima sonhando com o homem que poderia vir a ser seu marido. Mas um dia, quando se dirigiam a Creta, armou-se uma tempestade e o barco naufragou. Fátima, semi-inconsciente, foi arrastada pelas ondas até uma praia perto de Alexandria. Seu pai estava morto, e ela estava agora inteiramente desamparada. Podia recordar-se apenas vagamente de sua vida até aquele momento, pois a experiência do naufrágio e o fato de ter ficado exposta às inclemências do mar a tinham deixado completamente exausta e aturdida.

Enquanto vagava pela praia, uma família de tecelões a encontrou. Embora fossem pobres, levaram-na para a sua humilde casa e ensinaram-lhe seu ofício. Deste modo, Fátima iniciou nova vida e, em um ou dois anos voltou a ser feliz, reconciliada com a sua sorte. Porém um dia, quando estava na praia, um bando de mercadores de escravos desembarcou e levou-a, junto com outros cativos. Apesar dela se lamentar amargamente do seu destino, eles não demonstraram nenhuma compaixão: levaram-na para Istambul e venderam-na como escrava.

Pela segunda vez, o mundo da jovem ruíra. Mas quis a sorte que no mercado houvesse poucos compradores na ocasião. Um deles era um homem que procurava escravos para trabalhar em sua serraria, onde se fabricava mastros para embarcações. Ao perceber o ar desolado e o abatimento de Fátima, decidiu comprá-la, pensando que poderia proporcionar-lhe uma vida um pouco melhor do que teria nas mãos de outro comprador.

Ele levou Fátima para sua casa com a intenção de fazer dela uma criada para sua esposa. Mas ao chegar em casa soube que tinha perdido todo o seu dinheiro quando um carregamento fora capturado por piratas. Não poderia enfrentar as despesas que lhe davem os empregados, e assim ele, Fátima e sua mulher arcaram sozinhos com a pesada tarefa de fabricar mastros. Fátima, grata ao seu patrão por tê-la resgatado, trabalhou tanto e tão bem que ele lhe deu a liberdade, e ela passou a ser sua ajudante de confiança.

Assim ela chegou a ser relativamente feliz em sua terceira profissão. Um dia ele lhe disse:

- Fátima, quero que vá a Java, como minha representante, com um carregamento de mastros; procure vendê-los com lucro.

Ela partiu então. Mas quando o barco estava na altura da costa chinesa, um tufão o fez naufragar. Mais uma vez Fátima se viu jogada como náufraga em uma praia de um país desconhecido. De novo chorou amargamente, porque sentia que nada em sua vida acontecia como esperava. Sempre que tudo parecia andar bem, alguma coisa acontecia e destruía suas esperanças.

- Por que será - perguntou pela terceira vez - que sempre que tento fazer alguma coisa, não dá certo? Por que devo passar por tantas desgraças?

Como não obteve respostas, levantou-se da areia e afastou-se da praia. Acontece que na China ninguém tinha ouvido falar de Fátima ou de seus problemas. Mas existia a lenda de que um dia chegaria certa mulher estrangeira capaz de fazer uma tenda para o imperador.

Como naquela época não exisitia ninguém na China que soubesse fazer tendas, todo mundo aguardava com ansiedade o cumprimento da profecia. Para ter certeza de que a estrangeira ao chegar não passaria despercebida, uma vez por ano os sucessivos imperadores da China costumavam mandar seus mensageiros a todas as cidades e aldeias do país, pedindo que toda mulher estrangeira fosse logo levada à corte.


Exatamente numa dessas ocasiões, esgotada, Fátima chegou a uma cidade costeira da China. Os habitantes do lugar falaram com ela através de um intérprete e explicaram-lhe que devia ir à presença do imperador.

- Senhora - disse o imperador quando Fátima foi levada até ele - sabe fabricar uma tenda?

- Acho que sim, Majestade - respondeu a jovem.

Pediu cordas, mas não tinham. Lembrando-se dos seus tempos de fiandeira, Fátima colheu linho e fez as cordas. Depois pediu um tecido resistente, mas os chineses não o tinham do tipo que ela precisava. Então, utilizando sua experiência com os tecelões de Alexandria, fabricou uma tecido forte, próprio para tendas. Percebeu que precisava de estacas para a tenda, mas não existiam no país.

Lembrando-se do que lhe ensinara o fabricante de mastros em Istambul,Fátima fabricou umas estacas firmes. Quando estas estavam prontas, ela puxou de novo pela memória,
procurando lembrar-se de todas as tendas que tinha visto em suas viagens.E uma a tenda real foi construída.

Quando a maravilha foi mostrada ao imperador da China, ele se prontificou a satisfazer qualquer desejo que Fátima expressasse. Ela escolheu morar na China, onde se casou com um belo príncipe e, rodeada por seus filhos , viveu muito feliz até o fim de seus dias.

Através dessas aventuras Fátima compreendeu que o que em cada ocasião lhe tinha parecido ser uma experiência desagradável acabou sendo parte essencial para sua felicidade.