terça-feira, 17 de julho de 2007

Gente independente, também precisa de outra gente...

Dia desses, minha mãe sofreu um golpe por telefone. Disseram que meu irmão havia sido seqüestrado.

Não preciso dizer que a mãe, se não morreu de nervoso, quase morre de alegria, quando recebeu a ligação do meu irmão. Ele não tinha sido seqüestrado; estava bem e seguro em sua casa. Minha mãe foi vítima de um golpe muito malvado.


Mas isso só aconteceu, porque era o meu irmão o suposto seqüestrado. Se fosse eu, a filha, ela desligaria o telefone, assustada. Depois, viraria pro meu pai e diria: _Modesto, alguém ligou dizendo que a Débora foi seqüestrada! Mas tudo bem, né? Há essa hora ela já deve ter dado na cara do seqüestrador, feito um discurso daqueles e convencido o moço que ele tem que libertá-la; a Dé sabe se virar...

É isso que dá, ser independente desde cedo...nem a mãe da gente acha que a gente precisa dela...

Quem não se conformava com minha independência era a minha avó Maria. De jeito nenhum! Ela vivia me espreitando...me seguindo...crente que algo ruim aconteceria a qualquer momento.

E foi por causa de uma intuição dessas, de uma espreitada, que ela acabou por salvar a minha vida...

A Mirela era uma menina que também morava na Rua Fábio Luis, em uma casa bem bonita e grande, de gente rica! Todo mundo queria ir à casa da Mirela porque lá tinha piscina e um monte de brinquedo bacana.

Um dia, a menina foi brincar comigo em casa, na varanda...eu tinha esquecido (mas ela, não) que a gente havia brigado e eu bati bastante nela. A raiva da surra tinha ficado guardada lá dentro da Mirela, esperando o melhor momento de sair e vingar-se! No que eu virei pra pegar o bulinho de café (a gente brincava de casinha), a doida pulou em cima de mim, passou o seu braço pelo meu pescoço e me asfixiava, bufando de tanto fazer força! Eu não conseguia mais respirar e achei que naquele momento um anjinho viria me buscar. _Eu vou morrer, agora! (pensei). Quando, de repente, surge a minha avó Maria, que deu um empurrão na Mirela, salvando minha vida, graças à sua mania de ficar me espreitando!!!

Penso que cheguei a ver um anjinho rindo da minha cara...quase né?!

A Mirela foi proibida de chegar perto de mim, mas no outro dia a gente tava brincando de “As Panteras” correndo na Rua Fábio Luis, eu a Mirela e meus primos...

É por isso que eu falo: até a gente, que é bem independente, precisa de outra gente, assim que nem a minha mãe e a minha avó, que faz qualquer coisa pela gente!!!

terça-feira, 10 de julho de 2007

Seu Misael

Meu pai é um baiano, lá de Campo Formoso. É muito sossegado e sempre teve esse jeito que diz que a vida é boa, em um tempo só dele, que eu gostava e gosto muito de sentir. Pra mim, era um passarinho, por viver cantando e gostar tanto dos de sua espécie – os passarinhos, de toda qualidade.

Bem pequena, convivi com um loro que adorava esse homem! Andava livre pelo quintal, falando muito. Pela manhã, acordava todo mundo:_ Vó, dá café pro loro!!!Nem o Zé Bétio falando no rádio, ganhava dele!

Um dia o loro sumiu e eu chorei muito, embaixo da mesa da cozinha - eu sempre chorava embaixo da mesa da cozinha. Meu irmão, compadecido com minha tristeza e, querendo me imitar, ficava comigo, chorando também. Depois de alguns dias meu pai achou o loro na casa de um vizinho sem-vergonha que tava bem quietinho, achando que a gente ia parar de procurar o bichinho...O que ele não sabia é que ninguém podia com aquela família, quando apaixonada!

Seu Misael sempre foi louco por criança, por bicho e por planta. E as crianças eram apaixonadas por ele. Só o olhavam e já esticavam os bracinhos, jogando o corpo pra frente, querendo seu colo!

Lembro das horas em que ele comia, revirando o prato com um montão de coisas, que pra mim eram momentos especiais e criativos.

A boa comida:

Botava primeiramente cebola e alho picadinhos. Depois era a vez do feijão fresquinho e bem temperado da minha mãe. Agora sim, é claro, a farinha, coberta pelo arroz. Em cima disso tudo iam mistura (carne!) e os legumes ou verduras. Era uma época boa, de comida saudável e suficiente. Eu gostava também de comer só feijão com farinha, que ele me ensinou a fazer...

Êta coisa boa essa, de lembrar de pai da gente, quando a gente era criança...

O meu mora lá em Mongaguá/SP. Estive com ele neste fim de semana e a gente caminhou pela praia no fim de tarde, vendo o Sol ir dormir e a noite dando sua cara...que tava linda, por sinal! Tivemos certeza que somos abençoados! Ficamos assim, emocionados a olhar o grande mar e penso que foi um dos momentos mais felizes de minha vida!

Seu Modesto é gente boa, jeito manso e tranqüilo que minha alma precisa sentir, sempre!

terça-feira, 3 de julho de 2007

Chuva fina em céu de alma sofrida

Um amigo nosso deixou o planeta no domingo. Foi de forma trágica e violenta.

Me deu muito medo e, quem mora em mim - nessa vida tênue e de carne, teima em me fazer rever sentimentos acumulados sem razão, a considerar possibilidades que antes eram inviáveis, novas ações, acompanhadas de um viço, próprio de vida nova.

E é uma coisa louca o que acontece aqui dentro; o susto querendo fazer a gente tomar jeito e a tristeza que quer me fazer ficar quietinha, quietinha, com choro miudinho de chuva fina em céu de alma sofrida.

Quem mora dentro de mim, bem velha, tenta me alegrar. Aliás a alegria sempre foi minha principal característica. Se ela não pinta, é que o negócio tá brabo!...Dou uma escutadinha, viro do lado e suspiro. Deixa eu ficar, só por hoje, não-alegre, com choro de chuva miudinha...até o chorão, que é grande e forte chora, por que não eu?

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Minha avó - parte II - Dias de chuva e medinho, dentro do olho azul

Escrito em 18 de maio de 07 - Contar histórias, Contadora de Histórias!

Tá chovendo...e sempre que chove muito assim, eu me lembro de quando morávamos na Rua Fábio Luis, em um bairro da zona leste de São Paulo. Minha avó Maria morava conosco e cuidava da “netaiada”, que era terrível. A tia Sonoe morava na mesma rua, só que um pouco mais pra cima, bem pertinho da escola onde estudávamos.

Nossas casas eram muito bacanas, com quintais imensos de terra batida, muita planta e flor...Mas a casa da tia Sonoe...tinha um pé de abacate!!!Ai, que gostoso quando botavam um balanço!!! E a festa junina então? Era bom demais!

Vai daí que minha avó, às vezes, ia pra casa desta minha tia e levava a gente com ela.

Nós, os netos, gostávamos quando dava temporal; a chuva forte fazia um enxurrada em nossa rua, que era uma delícia. Passávamos um tempão lutando contra a força das águas, poderosos como o quê, pra subir rua acima. Minha avó ficava muito preocupada, mas não conseguia dar conta de segurar todo mundo. E era perigoso a gente se cortar com um caco de vidro ou mesmo pegar doença do xixi de algum animal. Preciso dizer pra vocês que na minha infância, sempre que chovia, “acabava a força”. Sim, acabava a energia elétrica. Ficava tudo no breu! E, minha avó sabia...E, muito sabida, quando percebia que “armava o tempo”, passou a dar tarefa pra cada neto. Um pegava as velas. Outro cobria os espelhos com toalhas. Um fechava a torneira, bem mesmo, pra não pingar. Afinal, tudo isso aí atraía “relâmpu”! Os menores tinham que subir em algo pra poder alcançar seu objetivo. Ah! Tinha que arrumar a mesa; tirar tudo de cima pra botar a vela e acendê-la: já, já, ia “acabar a força”.

E, pronto! O tempo fechava, escurecia tudinho e puf! A luz sumia...

Ai, que bom que a vela tava acesa, né?

- Eu tinha certeza que minha avó Maria tinha poderes especiais, era mágica, sei lá! Ela sempre sabia “de um tudo”!!! - e a gente nem saía pra buscar enxurrada...

Daí, ela sentava numa cadeira e botava todo mundo em volta da mesa. Meu irmão sentava pertinho de mim, quase colado. E o silêncio tomava conta da cozinha, lugar do fogo sagrado e criativo, enquanto ela passava as pontas dos dedos na toalha de mesa gasta, tentando arrumar.

Era uma eternidade de silêncio, só interrompido pelo trovão, logo após o “relâmpu” clarear tudo...

A história:

A certa altura a avó começava a contar a história do homem que ela conheceu quando morou no interior, lá na fazenda. Ele cuidava de uma boiada e quando percebeu que o tempo “armou”, recolheu o rebanho e foi se recolher também. Só que um bezerro escapou e saiu pelo pasto afora...

O homem (que cada vez que ela contava a história tinha um nome diferente) ia sair pra buscar o bezerro, mas sua avó disse pra ele não sair não, que era perigoso andar fora de casa em dia de temporal, tem muito “relâmpu”...pode morrer até!! Ele nem deu bola pro que a avó disse e saiu, em busca do bezerro. Não voltou. Encontraram o coitado no dia seguinte, debaixo de uma árvore perto do descampado: torradinho! Caiu um “relâmpu” bem no meio do “cucurutu” dele!!!

Êita, que a gente nem respirava de tanto medo! E quando dava de dar um relâmpago daqueles que iluminam tudo, justo na hora que ela contava a parte do “torradinho”? Ai, que meu irmão só faltava enterrar a cabeça no meu sovaco.

Pois é, em um desses dias de temporal e de histórias - sempre terríveis - ela contava a parte que o homem estava embaixo da árvore, quando caiu um raio em cima do pé de abacate da tia Sonoe! Vixe, que foi uma gritaiada só, uma choradeira e até minha avó, que tentou disfarçar ficou com medo. Bem que eu vi, dentro do olho azul dela, o medinho iluminado pelo clarão do raio e depois da vela...

E agora, ainda chove por aqui. Já não temos mais a avó Maria pra contar histórias em dias de chuva, mas, se chove, inevitavelmente eu lembro do medinho dentro daquelo olho azul especial.


crédito da imagem: www.gigacolor.com.br/imagem/16/img_2.jpg

domingo, 13 de maio de 2007

O melhor presente do mundo, eu ganhei da Maíra...


Contar histórias, Contadora de Histórias!
A Maíra me apareceu domingo com um presente de Dia das Mães e me entregou um envelope lindo que ela fez.
Abri o envelope com aquelas bocas todas nele e me senti muito beijada; aquela borboleta ficou uma belezura! Dentro, tinha uma foto nossa de quando ela era bem pequenina, que me emocionou e, uma carta. Comecei a ler, cheia de vonta e chorei de alegria! Essa figura é mesmo, muito, muito especial! Tenho certeza de que ela é o melhor presente do mundo todo!!!
Compartilho com vocês a carta da Maíra, transcrevendo-a, por acreditar que o amor é capaz de reencantar o mundo!!!
Brigadão Má, por você existir e por me fazer a mulher mais feliz do universo!!! Grande beijo da mamãe...
Lá vem a carta da Maíra...

"Era uma quinta-feira que antecedia o dia das mães. Uma menina tentava escrever uma cartinha p/ presentear sua mãe no domingo. A menina sabia que este foi mais um feriado inventado por esse mundo capitalista, que só quer que as pessoas consumam, ela era uma garota muitississississimo inteligente (e modesta!), sabia que o dia das mães eram todos os dias, mas sentia que sua querida, amada, adorada, venerada e idolatrada mamãe merecia uma homenagem, só que não sabia o que fazer p/ uma pessoa tão especial. Enfim, ela teve uma idéia. Que tal escrever uma carta contando a história de uma garota que pensava no que escrever para sua mãe em um cartão de dia das mães?! Perfeito! Afinal sua mãe era uma contadora de histórias encantadora (óia que coincidência). Então ela pegou um papel e um lápis, pois se errasse era só apagar, assim como sua mãe havia lhe ensinado que se alguma coisa não está bem não devemos ter medo de mudar ou de tentar outra vez. Começou a história assim: Em uma quinta-feira..."
Mãe você já percebeu que a pessoa, a menina sou eu (oooh!). Tudo isso aí foi p/ te dizer o quanto você é especial para mim, que eu não sei viver sem ter você, que vou levar no meu coração tudo o que você tem me ensinado, você não é meu apoio, você é aquela que me incentiva a levantar, que você é tudo na minha vida (toh ateh chorando), que você é a melhor mãe do mundo (tenho super certeza disso), que eu agradeço muito por viver com você, ai mamãe não tenho palavras p/ dizer o tanto que eu te amo, o que eu disse não é nem a metade, nem 1/3, porque por tudo que passamos juntas não caberia nem em um livro.
Poiselson mamãe, acho que como sempre o que eu tenho a dizer é...
EU TE AMO!!

Mãe tem Dia?

Contar histórias, Contadora de Histórias!
Quando a Maíra me perguntou o que eu queria ganhar de presente no Dia das Mães, eu disse que não queria presente material, que ela já é o meu presente, blá, blá, blá...daí a gente conversou sobre a banalização das coisas que valem a pena, de verdade, só pro comércio ganhar seu din din...
Minha memória foi buscar lá na minha infância, o Dia das Mães. Chegamos então ao ambiente escolar, com minha professora nos ensinando como fazer uma "lembrancinha" pra dar de presente às nossas mamães...não me lembro ao certo o que era, mas me lembro de ter perguntado à ela:
_Professora, mãe tem dia?
Ela disse que não, que todo dia era Dia das Mães. Daí eu tornei a perguntar:
_Então por que a senhora não ensina como fazer lembrancinha todo dia?
Ela tentava me explicar sei lá o que, mas a classe tava bem animada, falando muito e bagunçando todo o material...ela foi acudir uma menina que se estapeava com outra por conta da bendita lembrancinha...
Fiz a minha lembrancinha, dei-a à minha mãe no Dia das Mães - que ficou bem feliz, vale lembrar!
Mas a minha inquietação, desde aquela época, pulava dentro de mim, que nem pipoca! Por que é que eu tinha que fazer coisas só quando diziam que eu podia fazer?
Cresci assim, difícil...e, quando a Maíra nasceu, eu resolvi: todo dia é dia de tudo, de qualquer coisa, Dia de dizer que eu amo ( toda hora), Dia de pedir perdão (vale voltar no quarto, depois da bronca), Dia de fazer comida gostosa (esse é pras lombrigas), Dia de brincar (pra criança que mora em todos nós), Dia de contar histórias (pra alimentar a alma), Dia de cantar (pra ser feliz), Dia de fazer carinho (pra fortalecer por dentro), Dia da filha (pra gente poder trocar), Dia da Mãe (pra fazer lembrancinha), Dia de não fazer nada (pra dar fôlego), Dia de comemorar qualquer coisa (pra gente ser livre), Dia da vó (pra sabedoria), Dia de comprar alguma coisa (pra fazer parte da sociedade), Dia de falar bobagem (só por que eu quero!), Dia de sair (pra ganhar mundo), Dia de namorar (pra ficar gostoso), Dia de lembrar de coisas (pra manter a vida), Dia de dançar (pra não enferrujar), Dia da preguiça (porque é bom à beça!), Dia de chorar (pra desaguar um bocadinho), Dia, de dia, de noite...
Eu, que fui uma terrível adolescente, só quando cresci bastante é que me dei conta da importância da minha mãe, em qualquer dia. E não precisa estar perto, não. Ela mora longe, mas nos falamos quase que todo dia. Essa história de mãe é muito forte, coisa que não se explica...a gente sente...Mulher que banca a gente aqui no Planeta, não é pouca coisa não!!!Não é só a gestação, que por si só já mereceria um prêmio do universo...é a coisa toda de educar, de ser presente...ser presente?
É isso, mãe é ser Presente. Então filho já recebe presente de mãe, certo?
Começo a rever meus valores...penso que filho tem que dar presente pra mãe!
Não, melhor: filho é presente! Mesmo quando está ausente...
Amo você mãe!!!!!!!

sábado, 12 de maio de 2007

Meu presente antecipado...

Contar histórias, Contadora de Histórias!
Pois é, esse foi o presente, adiantado, que eu ganhei de Dia das Mães da minha mais recente descoberta de gente bacana: Mõnica Kikuti! E olha que ela nem é minha filha!!!
Se vocês pensam que ela é minha parenta...não é não, a gente só tem o sobrenome igualzinho...
Ela trabalha lá no Jornal Olho Vivo, junto com a Luciene - outra gente bacana.
O mais engraçado foi a minha filha, a Maíra, quando ficou sabendo que sairia numa foto junto comingo...quase morreu de catapora!!!!!!!Rimos muito quando o Índio - fotógrafo do Olho Vivo, mais uma gente bacana, esteve em casa pra fazer a foto!
A matéria foi super bem escrita e carinhosa...não poderia ser melhor presente, que guardarei com muito amor pra eu olhar quando for bem velhinha.
Valeu Mônica, pela lembrança e pela sensiblidade.
Valeu Maíra, por ter saído muito bem na foto!

terça-feira, 8 de maio de 2007

Histórias pras mamães....

Contar histórias, Contadora de Histórias!
Sábado passado fui convidada pela Solange pra contar histórias na Casa de Cultura Estação Vila Augusta. O povo de lá é bem bacana, a gente sempre apronta alguma juntos.
Era uma atividade que iniciava a comemoração do Dia das Mães. Tinha um montão de gente - umas 100 pessoas! Mãe então, nem te conto...o lugar é muito gostoso, tem um quintal cheio de árvores...é uma casa muito aconchegante, quem não conhece tem que ir lá pra ver!
Cantamos uma canção pra aconchegar ainda mais, contei algumas histórias e propus que escrevêssemos nossos desejos em tirinhas de papéis de seda, que seriam amarradas em um balão de gás...este levaria até o céu nossos pedidos, que seriam realizados, é claro!!!!!!!!!!!!!!!!
Acontece que o mundo é cheio de boas idéias que precisam ser aprimoradas...a minha tinha um probleminha: muito desejo pra pouco balão!!!!
Lá fomos nós então, mentalizar nossos desejos - representados por apenas uma tirinha em branco - que voou pro céu, finalmente.
Foi um momento bem especial, penso eu, pros póvos e póvas que estavam lá...
Quem não foi...perdeu! Na próxima eu aviso, tá?

Depois eu bóto a foto da atividade...

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Contação na Livraria da Vila

Contar histórias, Contadora de Histórias!
Pessoas, neste final de semana contei histórias na Livraria da Vila, nas lojas da Vila Madalena e Lorena.



Apesar de estarmos em um meio de feriado, e por isso mesmo com pouca gente, foi muito bacana e aconchegante...


No sábado aconteceu na loja da Vila Madalena...tava frio mas a gente saiu de lá com nossos corações bem aquecidos...muito bom, mesmo!!! "O Amor da Minha Vida" estava lá e levou a Rose e o Caio. Fiquei especialmente feliz em contar histórias com eles por ali...ah! e se não fossem eles, não teríamos essas fotos pra mostrar aqui, nem a simbologia dos carinhos quentes...muito agradecida, sempre Preto, Rose e Caio!!!!!!!!!!!!!

No domingo já tava mais quente...foi a vez da loja da Al. Lorena nos receber e de eu ficar bastante feliz com a presença de minhas novas amigas, a Gabi e sua vovó Clei, que estiveram na contação da Vila no dia anterior. Brigadão meninas, é muito bom conhecer gente que gosta de histórias feito vocês!!! Pra elas eu contei o Carinhos Quentes, novamente, de presente!!!

Bom, é isso, divido com vocês mais uma emoção da vida que me acontece.
Carinhos quentes pro mundo todo e até mais!!!!!!!!!!!!!! Lá vem a história...

UM CONTO DE CARINHOS (Claude Steiner)

Era uma vez, há muito tempo, um casal feliz, Antonio e Maria, com dois filhos chamados João e Lúcia. Para entender a felicidade deles, é preciso retroceder àquele tempo.

Cada pessoa, quando nascia, ganhava um saquinho de carinhos. Sempre que uma pessoa punha a mão no saquinho podia tirar um Carinho Quente. Os Carinhos Quentes faziam as pessoas sentirem-se quentes e aconchegantes, cheias de carinho. As pessoas que não recebiam Carinhos Quentes expunham-se ao perigo de pegar uma doença nas costas que as fazia murchar e morrer.

Era fácil receber Carinhos Quentes. Sempre que alguém os queria, bastava pedi-los. Colocando-se a mão na sacolinha surgia um Carinho do tamanho da mão de uma criança. Ao vir à luz o Carinho se expandia e se transformava num grande Carinho Quente que podia ser colocado no ombro, na cabeça, no colo da pessoa. Então, misturava-se com a pele e a pessoa se sentia toda bem.

As pessoas viviam pedindo Carinhos Quentes umas às outras e nunca havia problemas para consegui-los, pois eram dados de graça. Por isso todos eram felizes e cheios de carinhos, na maior parte do tempo.

Um dia uma bruxa má ficou brava porque as pessoas, sendo felizes, não compravam as poções e ungüentos que ela vendia. Por ser muito esperta, a bruxa inventou um plano muito malvado. Certa manhã chegou perto de Antonio enquanto Maria brincava com a filha e cochichou em seu ouvido: "Olha, Antonio, veja os carinhos que Maria está dando à Lúcia. Se ela continuar assim vai consumir todos os carinhos e não sobrará nenhum para você".

Antonio ficou admirado e perguntou: "Quer dizer então que não é sempre que existe um Carinho Quente na sacola?"

E a bruxa respondeu: "Eles podem se acabar e você não os ganhará mais". Dizendo isso a bruxa foi embora, montada na vassoura, gargalhando muito.

Antonio ficou preocupado e começou a reparar cada vez que Maria dava um Carinho Quente para outra pessoa, pois temia perdê-los. Então começou a se queixar a Maria, de quem gostava muito, e Antonio também parou de dar carinhos aos outros, reservando-os somente para ela.

As crianças perceberam e passaram também a economizar carinhos, pois entenderam que era errado dá-los. Todos foram ficando cada vez mais mesquinhos.

As pessoas do lugar começaram a sentir-se menos quentes e acarinhadas e algumas chegaram a morrer por falta de Carinhos Quentes. Cada vez mais gente ia à bruxa para adquirir ungüentos e poções.

Mas a bruxa não queria realmente que as pessoas morressem porque se isso ocorresse, deixariam de comprar poções e ungüentos: inventou um novo plano. Todos ganhavam um saquinho que era muito parecido com o Saquinho de Carinhos, porém era frio e continha Espinhos Frios. Os Espinhos Frios faziam as pessoas sentirem-se frias e espetadas, mas evitava que murchassem.

Daí para frente, sempre que alguém dizia "Eu quero um Carinho Quente", aqueles que tinham medo de perder um suprimento respondiam: "Não posso lhe dar um Carinho Quente, mas, se você quiser, posso dar-lhe um Espinho Frio".

A situação ficou muito complicada porque desde a vinda da bruxa havia cada vez menos Carinhos Quentes para se achar e estes se tornaram valiosíssimos. Isto fez com que as pessoas tentassem de tudo para consegui-los.

Antes da bruxa chegar as pessoas costumavam se reunir em grupos de três, quatro, cinco, sem se preocuparem com quem estava dando carinho para quem. Depois que a bruxa apareceu, as pessoas começaram a se juntar aos pares, e a reservar todos os seus Carinhos Quentes exclusivamente para o parceiro. Quando se esqueciam e davam um Carinho Quente para outra pessoa, logo se sentiam culpadas. As pessoas que não conseguiam encontrar parceiros generosos precisavam trabalhar muito para obter dinheiro para comprá-los.

Outra pessoas se tornavam simpáticas e recebiam muitos Carinhos Quentes sem ter de retribuí-los. Então, passavam a vendê-los aos que precisavam deles para sobreviver. Outras pessoas, ainda, pegavam os Espinhos Frios, que eram ilimitados e de graça, cobriam-nos com cobertura branquinha e estufada, fazendo-os passar por Carinhos Quentes. Eram na verdade Carinhos falsos, de plástico, que causavam novas dificuldades. Por exemplo, duas pessoas se juntavam e trocavam entre si, livremente, os seus Carinhos de Plástico. Sentiam-se bem em alguns momentos mas, logo depois, sentiam-se mal. Como pensavam que estavam trocando Carinhos Quentes, ficavam confusas.

A situação, portanto, ficou muito grave.

Não faz muito tempo uma mulher muito especial chegou ao lugar. Ela nunca tinha ouvido falar na bruxa e não se preocupava que os Carinhos Quentes acabassem. Ela os dava de graça, mesmo quando não eram pedidos. As pessoas do lugar desaprovavam sua atitude porque a mulher dava às crianças a idéia de que não deviam se preocupar com que os Carinhos Quentes terminassem, e a chamavam de Pessoa Especial.

As crianças gostavam muito da Pessoa Especial porque se sentiam bem em sua presença e passaram a dar Carinhos Quentes, sempre que tinham vontade.

Os adultos ficaram muito preocupados e decidiram impor uma lei para proteger as crianças do desperdício de seus Carinhos Quentes. A lei dizia que era crime distribuir Carinhos Quentes sem uma licença. Muitas crianças porém, apesar da lei, continuavam a trocar Carinhos Quentes sempre que tinham vontade ou que alguém os pedia. Como existiam muitas crianças parecia que elas prosseguiam seu caminho.

Ainda não sabemos dizer o que acontecerá. As forças da lei e da ordem dos adultos forçarão as crianças a parar com sua imprudência? Os adultos se juntarão à Pessoa Especial e às crianças e entenderão que sempre haverá Carinhos Quentes, tantos quantos forem necessários? Lembrar-se-ão dos dias em que os Carinhos Quentes eram inesgotáveis porque eram distribuídos livremente?

terça-feira, 10 de abril de 2007

As histórias nos escolhem, sempre!


Eu já conhecia a história do bambu chinês, mas ela me escolheu pra eu recontá-la procês, conforme me foi enviada pela Marcia, minha amiga da biblioteca...junto com uma reflexão...

Contar histórias, Contadora de Histórias!

O Bambu Chinês

Depois de plantada a semente deste incrível arbusto, não se vê nada por aproximadamente 5 anos, exceto um lento desabrochar de um diminuto broto a partir do bulbo.

Durante 5 anos, todo o crescimento é subterrâneo, invisível a olho nu, mas uma maciça e fibrosa estrutura de raiz que se estende vertical e horizontalmente pela terra está sendo construída. Então, no final do 5º ano, o bambu chinês cresce até atingir a altura de 25 metros.

Um escritor de nome Covey escreveu:

"Muitas coisas na vida pessoal e profissional são iguais ao bambu chinês. Você trabalha, investe tempo, esforço, faz tudo o que pode para nutrir seu crescimento, e às vezes não vê nada por semanas, meses ou anos. Mas se tiver paciência para continuar trabalhando, persistindo e nutrindo, o seu 5º ano chegará, e com ele virão um crescimento e mudanças que você jamais esperava."

O bambu chinês nos ensina que não devemos facilmente desistir de nossos projetos e de nossos sonhos. Em nosso trabalho especialmente, que é um projeto fabuloso que envolve mudanças de comportamento,de pensamento, de cultura e de sensibilização, devemos sempre lembrar do bambu chinês para não desistirmos facilmente diante das dificuldades que surgirão.

Procure cultivar sempre dois bons hábitos em sua vida: a Persistência e a Paciência, pois você merece alcançar todos os seus sonhos!