sexta-feira, 6 de maio de 2016

Lançamento do livro "Contação de Histórias: Tradição, Poétcas e Interfaces"

Lançamento do livro "Contação de Histórias: Tradição, Poétcas e Interfaces". Eu participo do livro, com um relato.



sexta-feira, 19 de junho de 2015

"Histórias para mudar o mundo"

Qualquer lugar é bom para se contar histórias.

Qualquer momento é adequado para lutar contra as desigualdades, a injustiça, o racismo e a ignorância.

Esse é o sentido, a mensagem e o objetivo do "Histórias para mudar o mundo" - V edição.



segunda-feira, 28 de abril de 2014

Histórias ao pé do ouvido

"No meio do movimento do barulho da cidade, uma contadora de histórias e um banquinho, para te contar baixinho uma história.
A narradora escolhe uma pessoa, convida-a para sentar-se e venda seus olhos.
Ser escolhido para escutar uma história no escuro de si mesmo, é um pedido do tempo, um alento, um sustento."



Meu desafio era voltar à praça Getúlio Vargas, aqui em Guarulhos, agora com a proposta das Histórias ao pé do ouvido.

Foi em uma manhã nublada de uma quarta-feira de outono que chamei minha amiga-fotógrafa-mais-bacana-do-mundo-todo Kaline, para registrar a intervenção. Também chamei o meu amor-artista Donato para observar a reação das pessoas em volta e fomos até lá.

Depois de uma boa olhada na velha praça, abordei meu primeiro ouvido:

Moço-estudante com camisa do Black Sabbath:

Ele esperava por seu transporte fretado quando eu me aproximei.


Ele achou engraçado, mas concordou em participar.


Vendei seus olhos e narrei a história que falava sobre os pensamentos que a gente carrega.


Quanto a história chegou ao fim, desvendei o moço, que sorria...



Parece que nem ele acreditava que tinha se deixado vendar por uma pessoa desconhecida, em uma praça, para escutar uma história. Surpreso dizia que prestou atenção na narrativa e não no que acontecia em volta.

O homem que cortava unhas:

Quando eu o convidei, ele me disse que "gostava bem" de escutar uma história vendado, mas provavelmente sua mulher, que ele esperava sair do banco a qualquer momento, não "gostava nada" daquilo:

"_ Vai dar problema!" - disse ele.

Pensei ser melhor não mexer com problema, e me despedi agradecida.


A moça enfermeira-aberta-pra-vida:

Cheguei perto, fiz o convite e ela aceito de pronto!


E se entregou à história...





Ao ser desvendada ela disse ter gostado muito e que se concentrou bastante na história. 
Fez relações entre a narrativa que falava sobre coragem e a vida da gente em sociedade. 



Disse que eu preciso continuar com este trabalho.

Essa moça, assim como eu, trabalha com pacientes de UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Só que ela resgata as pessoas no SAMU (transporte de socorro, de urgência) e eu conto histórias dentro dos hospitais. Ela tem coragem de ajudar. Eu tenho intenção.

O homem-quieto:

Este não quis ser vendado e eu disse que estava tudo bem, que abordaria outra pessoa, já que a proposta da intervenção era a pessoa escutar uma história de olhos vendados.


Ele me disse que fazia questão de escutar a história e me contou a sua:

"Eu fui numa igreja de crente. Eu não sou crente, mas gosto de escutar a Palavra. Então o pastor disse pra gente fechar o olho pra ele fazer a oração. Eu não fechei e disse: 
_ O senhor pode fazer sua oração, que o que eu vou escutar de olho aberto é a mesma coisa que eu vou escutar de olho fechado. 
Então a senhora faz favor de contar a sua história."

E eu? Eu contei...


Contei uma história sobre um homem que precisou caminhar pelo mundo e voltar para o seu pedaço de chão, para reconhecer o valor de sua vida.


Ele gostou muito e falou sobre como sua vida era parecida com a do homem da história.

O meu amor-artista precisou explicar o que acontecia para muitas pessoas que passavam.



Sinto que a história, quando começa a ser narrada, cria um campo em torno de mim e a pessoa que escuta a história.

Vai daí, que ninguém ousa se aproximar, respeitando momento de tanta cumplicidade.

Pois então a manhã já acabava e tínhamos que seguir, para os outros compromissos do dia.

Feliz que transbordava eu fui alimentar o corpo, que a alma estava repleta!

O caminho é longo e próspero e ele apenas começou no pé do ouvido.

Gratidão!

Fotos: Kaline Kloster https://www.facebook.com/pages/Kaline-Kloster-Fotografia/240656879460320?fref=ts


sábado, 26 de abril de 2014

Histórias ao pé do ouvido - como tudo começou

"(...) Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós (...)"
Manoel de Barros

Há tempos eu tentava voltar à Praça Getúlio Vargas, para contar histórias e não conseguia.

Eu só conto as que gosto e que escolhem ser contadas. É assim que é. E não conseguia mais gostar de me colocar na praça como uma atração, para quem estivesse de passagem, ou não.

Isso se dá porque eu enjoo logo de tudo; amo uma novidade! Gosto de reinventar, de me reinventar.

Vai daí que um grupo de amigos aqui de Guarulhos se reúne vez em quando para fazer festa. Festa de ocupar, festa de celebrar, festa só porque se quer..

Nova festa marcada, cada um faria algo relacionado à sua área de interesse. Um cria imagem, outra costura, um toca, outra faz moda, um projeta, outra conta histórias.

Mas eu não acho nada elegante em uma festa onde todos estão para conversar, de repente aparecer alguém e começar a narrar. Acho meio invasivo, meio opressor, como se todos tivessem que parar de falar e prestar atenção. Não combina com o que faço, penso eu.

Daí resolvi Contar "Histórias ao pé do ouvido".

" No meio do movimento e do barulho da cidade, uma contadora de histórias e um banquinho, para te contar baixinho uma história.
A narradora escolhe a pessoa, convida-a para sentar-se e venda seus olhos.
Ser escolhido para escutar uma história no escuro de si mesmo, é um pedido do tempo, um alento, um sustento."

Como algumas pessoas já conhecem meu ofício, perguntavam quando eu contaria histórias. Daí eu propunha que ela sentasse no banquinho e a coisa toda acontecia. Um por um, foram vários adultos e crianças durante o dia e a noite.

A festa estava muito boa, tudo acontecendo muito bem, mas a moça aqui não tinha ninguém que registrasse sua intervenção.

Mas a memória é coisa boa, então... Algumas experiências:

Uma colega-contadora, que já conhecia a história que eu narrei. Foi bacana ver sua expressão, a cada parte da narrativa, como se fosse notícia nova.

O moço-desenhista, que ao final disse que precisava fazer uma animação daquela história, porque ele viu todas as imagens com nitidez e os ruídos da festa não foram notados.

O moço que faz cinema perguntou se eu pensava em fazer um CD de histórias, porque ele achava bacana.

Uma doce criança, mal conseguia segurar suas perninhas, como se andasse junto com a personagem da história.

Minha amiga-criança que adora escutar histórias, perguntou se podia escutar sem a venda nos olhos. Eu perguntei por quê e ela me disse que tinha medo.

Então eu sugeri que ela aproveitasse porque não estaria sozinha, afinal eu estaria ali, junto com a história. Talvez fosse uma boa hora de espantar o medo.

Ela concordou e voltou várias vezes, pedindo para que eu a vendasse e lhe contasse outra história. O medo já era...

O Maurício Burim, amigo fotógrafo, conseguiu registrar esses momentos:





O moço-mais-curioso-do-mundo-todo ficava mexendo a cabeça com o queixo levantado, como se apanhasse as memórias com o pensamento.

Enquanto todas as histórias eram contadas, a curiosidade tomava conta do entorno: as pessoas em volta queriam saber o que estava acontecendo, o que eu fazia ali, cochichando no ouvido da pessoa vendada. 

Mas, em momento algum NINGUÉM se aproximou. Era como se criássemos um campo intransponível em volta de nós, uma redoma protetora. Espaço afetivo, próximo e terapêutico.

Daí, a certeza veio... Seria assim que eu voltaria para a praça: Histórias ao pé do ouvido! 

Gratidão aos ouvidos encantados, à coragem e à imaginação!

Fotos: Maurício Burim


segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Histórias do Acaso


"Eu ando pelo mundo prestando atenção em cores que eu não sei o nome..." (Esquadros - Adriana Calcanhoto)


Sabe, eu ando pelo mundo escutando e lendo histórias.


E quando vou contá-las, não sei direito qual escolhe vir naquele momento... 



Daí o Acaso me ajuda, girando o cesto na cantiga e escolhendo por mim!


Foi uma delícia de encontro!!!


Olhares atentos, coração na boca, cantiga na respiração... 


Finalizar um ano de forma tão gostosa, é uma benção e eu só posso dizer: Gratidão!!!


Inté mais... 

domingo, 17 de novembro de 2013

10a. Festa do Saci em Guarulhos

Tudo começou há dez anos, lá em casa...

E ó o Saci agora, pelas ruas da cidade!!! 





Não aparece no vídeo, mas a reação das pessoas com as quais eu conversava, enquanto o Saci pulava, o Boitatá brincava e o povo tocava, era incrível!!!

Ao longo do caminho pude ver a cara de lembrança da mulher que disse que sua mãe lhe contava histórias assim, do moço que jurava que o Saci tinha aparecido - de verdade pra traquinar na cidade, da cara de impressionada da menina que gritava: _Ó, ó, ó...

O mais bacana foi perceber que todas as pessoas concordavam comigo: precisamos valorizar nossa cultura!

O nosso Saci apresentou-se assim: urbano, pop... Muito por conta do olhar do Cláudio Donato, meu amor-artista- urbano que criou uma arte animada do Saci pulando para ser projetado, provando assim, ser possível a Cultura Popular & Cultura POP conviverem harmoniosamente.

O nosso Boitatá, ideia do engenheiro criativo Adriano Gregório, que resiste em não ter faicibuqui, foi construído por muitas mãos no espaço do Coletivo 308, cedido pelo Alexandre Vilas Boas e João Canobre (em meio à histórias, cafés e brincadeiras) :












O projetor foi morada do Saci, cedido pelo amigo Edson Kiyoshi.




O gerador, energia que alimentou os pulos do Saci no projetor, foi trazido de longe pelo Will Carbônica, outro POP amigo que o Saci fez por esses dias...e que ainda segurou o notebook um tempão!

O "muque" do Rodrigo Maia, carregando o carrinho encantado do gerador.

Amigos reunidos: Reiko, Verônica, Dionisio, Rosiane, Edmilson, Graça, Miriam Palma, moços que eu não sei o nome, Miriam e o povo na rua, cantando, dançando, brincando e se encantando... porque senão, não tem a menor graça!

Muito agradecida, minha gente!

Vejam o vídeo, com o Saci pulando e o Boitatá brincando pelas ruas de Guarulhos, pelo olhar brincante do André Josef K Okuma, que pirou no movimento... :



"Deu" no jornal!!!



Que possamos reverberar a nossa festa durante todo o ano, até a próxima!

Inté

Fotos: Alexandre Vilas Boas e Edmilson Ávila
Vídeo: André Okuma

quarta-feira, 30 de outubro de 2013


terça-feira, 1 de outubro de 2013

III Encontro de Contadores de Histórias de Cultura Tradicional

Viva!

Encerramos o ciclo.

O III Encontro de Contadores de Histórias de Cultura Tradicional aconteceu no XVII Revelando São Paulo.

Chegamos cedo, eu mais meu amor-artista-companheiro -  conhecido como Cláudio Donato.

Na entrada do “mundo” que é o Revelando, encontramos um canto e ficamos impressionados com o tamanhão.

Todas as chitas que recolhi até agora, mais as que a amiga Reiko emprestou, foram as escolhidas para cercar as nossas histórias com suas muitas flores.  Uma delas foi responsável por quebrar o canto, que não precisava pra acumular; virou lugar de se ajeitar.

Estendemos o tapete, que nem quando a gente quer que a sala fique mais aconchegante e espalhamos almofadinhas no chão... A amiga Tâmara foi vendo tudinho e mandou de presente os móveis da casa: um banco pra prosear, mais uma porção de toco que arrumamos num círculo, pra que a turma toda pudesse sentar.

Eu convidei bastante gente!

E veio gente de perto, de mais ou menos perto, de longe e de muito longe pra contar as histórias que chegavam.

Teve visita com tudo que é sotaque, reencontramos amigos, fizemos novos amigos e o tempo foi sentido de outro jeito afinal, o tempo do Revelando é outro.

Algumas visitas vinham todo dia e já não precisavam mais pedir licença...  Depois de um tempo, a pessoa não é mais visita; vira moradora:

Bete veio de Cruzeiro, trouxe seu violão e sua voz poderosa de linda, logo na primeira hora do dia e sempre sem energia elétrica, que quer dizer sem microfone.

Jacy Pataxó vinha quietinha com sua doçura e quando começava a contar, a gente escutava seu tamanho e sua força de mulher guerreira. Nunca vi explicação de nome mais bonita do que a da sua etnia: Pataxó. A música do passarinho vinha em minha cabeça todo dia pela manhã.

Maria Sardinha chegava já pronta, com brinquinhos e sorriso largo pra brincar com a véia da cacarada e sua música, que teimava em aparecer de noite, quando eu ia me deitar.

Coronel Kalon Gypsie Kambulin, do povo cigano, desfez mentiras e me aguçou a curiosidade sobre o acampamento e costumes de um povo tão antigo.

Foi chegando mais visita, mas foi tanta... O Povo das Histórias chegou e encantou mais ainda o espaço!

Teve todo jeito de contar: com violão, com percussão, com acordeom, com a cantiga entoada, com a brincadeira embalando o corpo, com o boneco que falava, com o jeito caipira e moda de viola, com o corpo que contava e com somente a voz encorpada.

Quero que vocês recebam as imagens e que elas possam colaborar para que sintam a atmosfera criada nesses oito dias que estivemos no Parque da Vila Guilherme, acolhidos pelo Revelando São Paulo, o grande Encontro da Cultura Paulista Tradicional.

Fiquei honrada por organizar este Encontro!

Gratidão, querid@s amig@s contador@s de histórias!

Oito dias. Se oito é infinito...

Que seja infinito!



Inté.


sexta-feira, 5 de julho de 2013

Oficina de Férias!


Nesses dois encontros, percorreremos o caminho poético para contar histórias por meio de vivências e expressões artísticas.

Faremos um lanche coletivo - traga uma comidinha pra compartilhar!
Valor: R$ 200,00

Local: Brechó Dricah! & Afins (R. Adoniran Barbosa, 33 - Pq. Renato Maia - Guarulhos/SP)

Inscrições: acasadashistorias@gmail.com
Informações: (11) 9 72358575

Vagas limitadas!

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Histórias que voam - 08/06

Gente,

No sábado, (08/06), estarei no Espaço de Leitura do Parque da Água Branca.

Quem já conhece, sabe que o espaço é uma delícia!

Quem ainda não o conhece pode aproveitar a oportunidade, né messss?

8 de junho, sábado, às 11h
Contação de histórias – Histórias que voam
Com Débora Kikuti
Os passarinhos, dizem, são mensageiros das coisas que acontecem lá no céu. Voam tanto… Mas, pousam vez ou outra, em histórias que são contadas pelo mundo. Para esta apresentação, Débora Kikuti, contadora de histórias desde os nove anos, carrega a tradição familiar de narrar histórias: em cada geração, uma pessoa de sua família fica responsável por disseminar esta arte; ela aprendeu com sua avó e, hoje, além de contar para seus familiares, transformou a contação de histórias em seu ofício.